Acordamos um pouco em cima da hora. Tomamos café e enquanto a Flavinha acabava de preparar a matula, fui para a praça, que é ao lado do Bar Igatu, me encontar o Tarcísio. Ele ainda não havia chegado, mas o “seu” Guina estava lá, nos esperando desde cedo.
O Tarcísio demorou um pouco, mas chegou, e como esperávamos, não fez nenhuma objeção em levar mais um passageiro, muito pelo contrário, foi logo comentando: – “Não acredito que vocês conseguiram tirar “seu”Guina da toca…”
Pegamos um pequeno trecho de terra e saímos no asfalto que liga Andaraí a Mucugê. Seguimos por ele até o entroncamento de Nova Redenção, onde pegamos um asfalto em péssimas condições. Mais uma vez acertamos ao optarmos por ir de carro e deixar as bikes descansando. A viagem seria cansativa e monótona. Por outro lado, o Tarcísio é muito atencioso, e durante a viagem, ia nos fazendo perguntas, respondendo outras e conversando com “seu” Guina a respeito de diamantes e outras histórias.
Pegamos mais um trecho de terra e chegamos na fazenda onde fica o Poço Azul. “Seu” Guina ia apontando as construções e nos contando as histórias de sua época, dos caminhões de madeira retirados dali e despachados rio abaixo, e obviamente, histórias de garimpo. Deixamos o carro de um lado do rio e atravessamos à pé, com a água mal chegando na canela. Em tempos de água, só se atravessa de barco.
Caminhamos algumas dezenas de metros e chegamos em uma espécie de restaurante, onde o Tarcísio ficaria nos esperando. Eu e Flavinha fomos logo colocando o colete salva-vidas (obrigatório por motivos de segurança e principalmente de preservação, já que sem ele ficaria fácil mergulhar, colocando a frágil estrutura da caverna em risco), mas “seu” Guina não se animou, apesar da nossa insistência.
Descemos com um guia que já foi logo pegando a câmera pra tirar fotos nossas. Depois de algumas poses, entramos. A pedido do guia, paramos para mais fotos.

Foto aqui, foto ali, espera a água acalmar, deixamos essa história de lado e fomos curtir, afinal de contas, “nós viemos aqui pra mergulhar ou pra fotografar?”
Ficamos quase uma hora lá dentro, o que só foi possível por termos chegado cedo; naquele horário, éramos os únicos turistas. Ainda insistimos mais uma vez para que “seu” Guina entrasse no poço, mas ele estava contente só por ver aquele cenário incrível.
Voltamos para “a superfície” e, animado, “seu” Guina propôs uma cerveja pra comemorar. Nisso, outros turistas já chegavam, inclusive um caminhão cheio de crianças. É que as prefeituras da região sempre fazem excursões com as crianças de comunidades vizinhas a fim de que elas conheçam suas riquezas naturais. Iniciativa louvável. Tomamos duas cervejas e seguimos de volta a Igatu, já que o Tarcísio tinha compromisso à tarde.

No caminho, os vidros do carro abertos e aquela brisa de estrada nos convidou para um longo cochilo, e logo estávamos de volta. Havíamos nos esquecido de encomendar nosso almoço (a Conceição ainda nos serviu um tira-gosto), e naquele sol rachando, fomos conhecer o Restaurante Água Boa, que serve uma excelente comida caseira e, pra variar, tem um ótimo atendimento, feito pelo Neu, que praticamente assentou na mesa com a gente pra contar mais histórias.
Pagamos a conta e fomos caminhar. Igatu é uma cidade pra ser conhecida sem pressa, à pé, olhando pra cima procurando pássaros, para os lados procurando detalhes, da serra, das ruínas, da igreja e do cemitério, que lembra um pouco o seu vizinho Santa Izabel, em Mucugê.
Entramos na Galeria Arte Memória, e é de impressionar: ruínas foram transformadas em um museu aberto, com peças antigas expostas cuidadosamente dentro de redomas e uma sala para exposições. Ainda de fora, dá pra se tomar um autêntico sorvete da Apolo, de Andaraí, folheando os calendários de fotos da região, produzido e vendido pelo dono da Galeria.
Mais à frente, fomos seguindo pela trilha, passando pelas ruínas até o sol começar a baixar. Era essa a tal trilha que liga Andaraí a Igatu, e não a que nós pegamos pra chegar até lá.
Noite caindo, passamos na casa do Amarildo, filho do Guina. O Amarildo é famoso na cidade. Fã da Xuxa e do Roberto Carlos, coleciona todas as revistas que contenham alguma foto ou reportagem dos seus ídolos. Além disso, possui levantamentos curiosos, como quantos estrangeiros existem na cidade, quem é casado ou solteiro, quem morou fora e voltou, o cara sabe da vida de todo mundo, e é uma figuraça. Na porta de sua casa, uma placa convida: “Entre e compre alguma coisa”, e tem de tudo ali, de licor a biscoito. Compramos uma pasta de dente.
Conversamos bastante e voltamos ao Bar Igatu, quase em frente. Lá, conhecemos o dono da Pousada Sincorá, de Andaraí, e a filha do “seu” Guina, que é casada com um funcionário da Galeria Arte Memória. Conversa vai, conversa vem, ela nos convidou pra almoçarmos na casa dela no dia seguinte. Agradecemos, confirmamos nossa presença e fomos dormir.
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Transporte Igatu – Poço Azul – R$ 110,00
Visita ao Poço Azul com mergulho e aluguel de equipamento - R$ 10,00 por pessoa
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28/07/2009 às 11:22 pm |
Um dia eu conheço chapada diamantina!