O Antônio nos acordou às cinco da manhã. O ônibus passaria pelo centro da cidade, mas como nosso embarque seria mais demorado por causa das bikes, preferimos ir ao ponto de partida, uma espécie de pensão onde os motoristas ficam hospedados. É lá que se vendem as passagens também.
O dia clareava quando deixamos Mucugê pra trás. No caminho, que havíamos passado no dia anterior, pudemos ver os estragos causados pelo fogo recente. Nos disseram que as chamas quase invadiram a cidade, e funcionários da Pousada Pé de Serra passaram um grande susto, tendo que apagar focos que ameaçavam invadir seu terreno.
Mas nem tudo são brasas. Olhando atentamente pela janela, passando pela entrada de Igatu, pude ver o gol vermelho do Tarcísio cortando a estrada. Obviamente ele não nos viu, mas aquilo foi, pra mim, como a despedida de mais um breve amigo. Passamos por Andaraí e seguimos viagem.
Fizemos uma baldeação no ônibus e chegamos a Feira de Santana no começo da tarde. Tínhamos algum tempo até o próximo, mas por causa do grande volume de bagagens, ficamos meio aprisionados na rodoviária, revezando tarefas e caminhadas pra ir ao banheiro ou à banca de revistas. O almoço foi ali mesmo, com iogurte, pão, polenguinho e frutas.
A tarde seguia sem pressa e embarcamos para nosso próximo destino: Camamu (ponto pra viação Santana, que não nos cobrou excesso de bagagem e o motorista ainda entrou dentro do bagageiro comigo pra me ajudar amarrar as bicicletas). Em viagens assim, passando por paisagens inéditas, não consigo desviar os olhos da janela. Do frenético trânsito de caminhões no calor enlouquecedor de Feira aos pequenos povoados na noite fresca, uma coisa me chamou a atenção. Era dia de Finados, e os cemitérios estavam todos iluminados, cheios de vela em seus túmulos.
Chegamos a Camamu depois das oito, não havia mais barco. Tínhamos duas opções: dormir por lá e atravessar a província no outro dia bem cedo, ou contratarmos um lancha rápida pra nos levar de uma vez. Apesar do salgado preço, optamos pela segunda opção, e em meia hora estávamos desembarcando em Barra Grande.
Deixamos as bikes estacionadas na frente do restaurante do Tó (que a Flavinha já conhecia de uma outra viagem) e fomos procurar uma pousada. Tarefa difícil. Como teoricamente não chegariam mais turistas naquele horário, quase não se encontram funcionários nas pousadas, e as que conseguimos indicação eram bem fracas.
Chegar em uma cidade desconhecida, à noite e cansado não é a melhor coisa do mundo, e a péssima oferta de pousadas com um custo-benefício desconcertante me deixou de mau-humor. E como havíamos gasto uma boa grana na lancha, achamos por bem economizar o máximo possível, desistindo das pousadas e optando por um camping bastante simpático, onde montamos a barraca quase na areia da praia.
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Travessia de lancha rápida de Camamu a Barra Grande – R$ 130,00
09/02/2009 às 4:27 am |
Porque parou? Parou porque?
10/02/2009 às 1:56 am |
Tá bacana demais o blog Zé, fico um tempo sem vir pra “acumular leitura”.
Essa saga não termina não? hehe
11/02/2009 às 8:11 am |
Salve Ze !
Estou acompanhando sua jornada, que bacana esta seu blog! Beijos pra voce e pra Flavinha e uma boa jornada !